Novo do Kanye West

em 19/11/2010, às 19h27min.


Marcelo Reis

  Kanye West é um dos artistas mais talentosos da atualidade. Faz sucesso no meio radiofônico, ao mesmo tempo em que se utiliza de técnicas de produção bem sofisticadas e não muito populares, o que, ultimamente, é quase impossível.

  “My Beautiful Dark Twisted Fantasy”, cuja capa gerou polêmica, por supostamente representar uma cena de sexo, é o melhor trabalho da Kanye até o momento, reunindo Hip Hop épico, baladas eletrônicas, Rithm' in Blues, e surpreendentes inserções no Rock. Tudo isso com a já conhecida acidez impiedosa das letras do Rapper.

  O álbum começa com “Dark Fantasy”, possui uma melodia gru- denta e refrão com vocais harmônicos femininos, além de uma ótima produção melódica, com elementos que lembram música gospel das antigas. 

  “Georgeus” apresenta guitarra elétrica e baixo agressivos, que dão um tom de Rock And Roll, mas a vocalização dá um aspecto mais sombrio à música. A guitarra não é de fúria, e sim de melancolia. Na letra, Kanye traz um tom sexista, cheio de insinuações e sensualidade, mas é tudo tão implícito e dito com palavras brandas, que parecem passagens bíblicas, se comparado ao machismo estúpido de 50 Cent.

 

 

Em “Power”, Kanye mescla Hip Hop, sonoridades urbanas, como sirenes e confusão sonora do trânsito, e percussões, vocais e batuques africanos, bem similar ao estilo empregado por Marcelo D2 em “À Procura da Batida Perfeita”. Nesta musica também aparecem guitarras distorcidas rasgando a melodia. Na letra, Kanye faz uma reflexão sobre as relações de poder, e não poupa nem a ele próprio, num raro momento de humildade.

 “All Of The Lights” tem uma introdução bem calma, com um arranjo de violinos, pianos e violoncelos, que não lembra em nada tratar-se de um disco de Rap, e traz a participação especial de Rihanna, Kid Cudi e Fergie.

   Mas o principal single do disco é “Monster”, que também traz uma vocalização sombria, além de beatbox e mais participações, como Jay-Z, Rick Ross e Bon Iver. É uma das faixas que mais traz elementos eletrônicos ligados à batida do Hip Hop. “Monster” é, basicamente, uma batida frenética e repetitiva, cheia de rimas destruidoras, com a dureza da sonoridade do Hip Hop, é a síntese do trabalho de West.